A ira do Professor Khan

Por Cesar Brod

Data de Publicação: 30 de Agosto de 2011

Amigos Trekkies, nãokhan estou falando de Khan Noonien Singh, morto pelo então Almirante da Federação Unida dos Planetas, James Tiberius Kirk no ano 2282. O Khan de nossos dias, Salman Khan, também não é, ao menos academicamente falando, um professor.

Em 2004 Salman trabalhava como um analista de fundos de ações na Califórnia e, para ajudar seu primo com suas tarefas de matemática, no ensino médio, utilizava a ferramenta de desenhos do Yahoo! Messenger. Suas “aulas” acabaram sendo úteis para outros primos e amigos dos primos e, para facilitar a sua vida, Khan começou a gravar seus desenhos e publicá-los no YouTube.

Em 2009 Khan abandonou seu emprego para dedicar-se integralmente à produção de vídeos educativos, todos publicados no YouTube e livremente acessados por qualquer interessado, e criou a Khan Academy, cuja missão está estampada em sua página principal na web: ajudá-lo na aprendizagem do que você quiser, quando você quiser, em seu próprio ritmo. No momento da escrita deste artigo a Khan Academy conta com mais de 2.400 vídeos que cobrem os mais variados assuntos, incluindo física, matemática, economia, história e muito mais.

A Academia de Khan tem muito mais a ver com a que Platão fundou no ano 385 a.C., no meio das oliveiras, no quintal da sua casa, sem muros a seu redor, do que com o conceito atual de Academia. Como Platão, Khan não fornece nenhum diploma e não cobra presença dos estudantes. Quem frequenta sua Academia o faz por que quer, pelo puro prazer de aprender ou de melhorar seu desempenho em instituições formais.

É claro que a Khan Academy não pode substituir o que uma escola oferece. Primeiro porque não somos todos autodidatas (e mesmo os que são, não o são o tempo inteiro). Muitos precisam de um mentor de carne e osso que acompanhe seu aprendizado em um ou muitos momentos. Além do mais, a escola não é só a aprendizagem de uma ou outra matéria, mas uma lição de convívio em sociedade, um alimento para o bom relacionamento entre as pessoas que devem descobrir que muitas cabeças pensam melhor que uma. O próprio Salman reconhece isto e busca experiências de interação entre sua Academia e escolas reais.

Por outro lado, fica claro que hoje há muito mais formas de aprendizagem do que as academias tradicionais oferecem e que devem haver formas também de se valorizar a aprendizagem que se dá de maneira informal, fora dos bancos das escolas e universidades, com professores que, como Salman Khan, podem não ter a devida titulação (que sequer existia na época de Platão), mas que estão aí para mudar o mundo e as maneiras pelas quais podemos aprender.

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